O caso de Bolsonaro e a disputa pelo seu espólio político
O cenário político brasileiro assiste a um momento melancólico para Jair Bolsonaro, cujo capital simbólico parece se esvair em meio a crises pessoais, isolamento e perda de protagonismo. A imagem que se impõe é dura: a de um líder que, outrora no centro das atenções, agora caminha fragilizado, cercado por interesses que disputam o que restou de sua força eleitoral. A metáfora do “boi cevado indo para o abate” ajuda a ilustrar o momento. Alimentado por anos de mobilização intensa, Bolsonaro vê seu entorno se transformar à medida que a perspectiva de poder diminui. Onde antes havia lealdade, surgem cálculos; onde havia silêncio estratégico, aparecem movimentos claros de sucessão.
O isolamento político é evidente. Antigos aliados se afastam, novas lideranças se colocam como alternativas e o ex-presidente parece cada vez mais solitário no tabuleiro. A falta de um plano claro de reconstrução, somada a limitações pessoais e políticas, reforça a sensação de fim de ciclo. Nesse vácuo, figuras da direita avançam como abutres, tentando abocanhar uma fatia do eleitorado bolsonarista. Disputam símbolos, discursos e a narrativa de “herança” política, muitas vezes mais preocupadas em capturar votos do que em preservar a coesão do campo conservador.
A fragmentação se intensifica. Sem uma liderança incontestável, o eleitorado que gravitou em torno de Bolsonaro se divide entre novos nomes, promessas de renovação e projetos pessoais. O que antes era uma base coesa torna-se um território em disputa aberta, com conflitos e sobreposições. O triste fim político de Bolsonaro, se confirmado, não é apenas a queda de um indivíduo, mas o retrato de como a política devora seus próprios ídolos quando o poder escapa. Resta saber se desse processo surgirá uma direita reorganizada ou apenas um rastro de disputas, onde muitos tentam levar um pedaço do que foi um dia um fenômeno eleitoral.
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