A União Que Não Existe: Bastidores Revelam Racha Profundo no Bolsonarismo
Nos palanques e nas redes sociais, líderes bolsonaristas exibem uma coreografia ensaiada de harmonia — sorrisos, discursos alinhados e promessas de que “o grupo segue unido por um projeto comum”. Porém, por trás do pano de fundo luminoso montado para o público, o cenário real lembra mais um tabuleiro rachado, onde cada peça tenta escapar da outra. A disputa interna pela candidatura presidencial de 2026 transformou o campo bolsonarista em um mosaico irregular, cheio de pequenas fraturas que crescem dia após dia.
A primeira fissura surge no núcleo familiar: uma ala insiste que Michelle Bolsonaro é o nome ideal para preservar o capital eleitoral do ex-presidente, projetando uma figura carismática e vista como “renovação”. Já outros defendem o primogênito Flávio Bolsonaro, enxergando nele a continuidade natural do legado paterno. O problema é que essas duas vertentes não dialogam entre si — e cada uma tenta ocupar o centro do palco como se o outro lado fosse apenas coadjuvante. Mais adiante no mapa das tensões, entram os governadores. Tarcísio de Freitas, visto como gestor técnico e “presidenciável por mérito”, é impulsionado por parte expressiva da direita paulista e do empresariado. No entanto, sua ascensão desperta resistência dentro do próprio bolsonarismo, que o enxerga com desconfiança por não ter raízes orgânicas no movimento. Romeu Zema, por outro lado, aparece como o nome mineiro que poderia unificar setores mais moderados — mas seu estilo discreto acaba irritando líderes que preferem holofotes mais intensos.
Enquanto cada grupo tenta puxar o tapete do outro, a disputa se transforma numa espécie de guerra fria interna, silenciosa perante o público, mas barulhenta nos bastidores. A mensagem de “união” que aparece nas redes soa como um ritual performático: abraços forçados, notas conjuntas e declarações estudadas para evitar que o eleitorado perceba a tempestade que ruge nos corredores. Dentro do partido, porém, a sensação é de cansaço e de que qualquer movimento errado pode desencadear um rompimento definitivo. Nesse ambiente fragmentado, cresce a percepção de que o maior beneficiado pode ser justamente o presidente Lula. Com o campo adversário travado em uma batalha de egos e projetos incompatíveis, a direita corre o risco de chegar a 2026 sem um nome capaz de representar unanimidade — ou sequer maioria. O discurso de união divulgado pelos líderes bolsonaristas funciona como uma cortina colorida, enquanto nos bastidores o grupo segue visivelmente raxado, tropeçando nas próprias ambições. Se nada mudar, a disputa interna poderá entregar de bandeja o caminho eleitoral que Lula precisava para tentar se manter no poder.
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